Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
A Arte de Imitar Anomalias Sociais
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autora: Anne Marie Lucille [1]
A Imitação do Viver, onde estão incluídas todas as patologias sociais, até que pode ser uma Regra que a mesologia nos obrigue a aceitar, mas, será que precisa ser sempre Assim?
"Aprender a repetir é coisa simples mesmo para o mais estúpido animal irracional; no entanto, aprender a questionar o ato de repetir, isso não é coisa simples..."
A Arte de imitar
Conflitos, medos, competitividade, e cada uma dessas coisas fazem parte da arte de imitar, afinal de contas, são comportamentos antigos...
A Arte de imitar
Conflitos, medos, competitividade, e cada uma dessas coisas fazem parte da arte de imitar, afinal de contas, são comportamentos antigos...

A escrita de um texto só é possível porque as letras, depois de colocadas numa ordem lógica previamente determinada, se tornam compreensíveis para o leitor. Deixam de ser simples caracteres, agora são palavras.

Imagine se encontrássemos em um caminho deserto, longe de tudo e de todos, uma grande caixa, declaradamente sem dono, repleta de ouro e pedras preciosas, qual seria nosso imediato sentimento. Certamente aquilo que conhecemos como felicidade. Alegria, euforia, um grande contentamento, uma singular sensação de poder, seria nossa pronta e mais comum reação.

Você já parou para pensar sobre a sensação do sentir-se poderoso? Ou sobre quais são os meios possíveis de lhe proporcionar tal sentimento? Isto é, o que o faz sentir-se forte, motivado, disposto a trabalhar em qualquer projeto, sem desanimar um momento sequer? Sim, para cada motivação há de existir um incentivo, uma recompensa por trás do objetivo, uma espécie de prêmio pela tarefa cumprida.

Observe o que nos tira a motivação, e ao mesmo tempo, o que nos motiva. O que constitui, para qualquer um de nós, uma coisa desagradável? Afinal de contas, não é o incômodo que nos tira o sossego? Pode ser aquele trabalho que, por algum motivo, não desejamos realizar, ou mesmo o simples antagonismo de uma crença contrária à nossa, e assim por diante. E o oposto de tudo isso, não é exatamente aquilo que nos agrada, que prazerosamente vamos nos empenhar em cumprir ou cultivar?

Posto dessa forma, uma das causas de desânimo é a certeza da falta de compensação. Por outro lado, o que nos motiva senão a certeza de uma boa recompensa? Por que tem que ser dessa forma é o que deveríamos, de bom grado, questionar, investigar. Se sabidamente vamos “receber” alguma coisa, de nossa parte, haverá sempre empenho, interesse dobrado, dedicação e boa vontade. Caso contrário, há apenas desmotivação, o eterno martírio da obrigatoriedade, o sentimento da autovitimização, a sensação de encarceramento ou cativeiro.

Educar para nós significa dirigir, colocar rédeas, domesticar o discente de acordo com “um certo padrão” de conduta. Ensinar é fazê-lo repetir aquele conjunto de regras, preceitos, protocolos, com o propósito de que tudo aquilo seja incorporado de uma forma, para nós positiva, à sua personalidade. Pode ser um hábito, uma habilidade, um vício, mania. Enfim, pode ser qualquer coisa. Se repetir é o mesmo que Imitar, então, educar se limita ao ensino desse processo, ou técnica. Nossa proposta cognitiva atual – embora não saibamos se antes foi de outro modo – adota esse modelo.

Sabemos o que nossos educandos ou filhos devem repetir; resta-nos mostrar-lhes o melhor modo de realizar esse procedimento. E depois que assimilam todo esse conteúdo, ou parte, atestamos que agora possuem capacitação, proficiência, autossuficiência ou criatividade.

Mostrar para uma criança pequena a forma ideal de se pegar os objetos é uma forma válida de instrução, e nesse processo ela só aprende pela imitação, não há outro meio. Sem a instrução dirigida, ela poderá cometer excessos, manipular a coisa de forma equivocada, inadequada, perigosa. Ainda não temos a qualificação necessária para ensinar sem depender do atributo da imitação. Assim, é de supor que o atributo da imitação as crianças já conheçam desde o berço. Afinal de contas, isso nós não lhes ensinamos, trata-se de uma propriedade natural e inata.

Sem um direcionamento a criança teria que testar cada coisa do seu mundo e depois decidir, por si, aquilo que lhe seria inútil ou útil. E se depois dessa dramática aventura conseguisse sobreviver, ainda assim, poderia levar muito tempo, talvez mais que uma vida inteira, até que tivesse apreendido o mínimo necessário à sua sobrevivência. Conclusão: a arte de saber imitar é fundamental e imprescindível ao ente humano.

Sei imitar, logo existo, logo sou um indivíduo integrado à minha sociedade e cultura. Uma personalidade cheia de pontos em comum, com as demais. E quais são estes pontos em comum? Medo, angústia, violência, ganância, inveja, atividade profissional, desejos, e tantos outros. Em resumo, eis o que comungamos com nossos congêneres. Por que é assim? Simples, aprendemos pela mesma cartilha, através do processo da imitação.

Por isso que nunca resolvemos os problemas psicológicos das sociedades humanas, que são praticamente os mesmos desde sua origem. Conflitos pessoais, tristezas, sofrimentos sem fim, vícios, violência sem motivo, e assim por diante. Se ainda repetimos, se fomos contemplados com os mesmos fardos, opiniões, antagonismos, a razão é simples, fomos educados pelo mesmo mestre, apesar das aparentes fronteiras físicas existentes entre nações.

E depois de incorporados todos estes atributos que chamamos de “traços” comportamentais, finalmente podemos nos considerar socialmente educados e adequados, integrados, preparados para a vida, apesar de ser o mesmo modo de vida que às vezes consideramos insuportável. O que representa um paradoxo, uma que vez somos os criadores e replicadores do caos do qual desejamos nos afastar.

Eis a questão: Somos capazes de enxergar esse fato, essa verdade, a existência desse incondicional condicionamento? Não seria então o primeiro vislumbre de inteligência que experimentaríamos em nossas vidas?

Esse deveria ser o papel da verdadeira educação, suscitar meios inteligentes para que cada indivíduo fosse capaz de perceber com clareza esse fato; fato de que para mudar, primeiro preciso perceber que sou uma simples central psicológica de repetição de velhos hábitos, manias, vícios e deformações sociais. Só a partir desse percebimento, então, poderei questionar se desejo perpetuar esse modelo, ou através do interesse pessoal, intuição e dúvida, buscar um novo rumo.

Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
Veja mais detalhes sobre o autor nas notas abaixo.

Nota de Copyright ©
Proibida a reprodução para fins comerciais sem a autorização expressa do autor ou site.

Sobre a Autora:

[1] Anne Marie Lucille - annemarielucille@yahoo.com.br
Franco-brasileira, pesquisadora na área da Psicopedagogia e Antropóloga. Atua como consultora educacional especializada em Educação Integral e Consciencial.
A autora não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

Mais artigos da autora em: http://www.sitededicas.com.br/holistica_index.htm

Mais Sugestões de Leitura

Outras Sugestões de Leitura do mesmo Tema...