Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
A Odisséia do Aprendiz Imperfeito
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autora: Ester de Cartago[1]
Seria a Perfeição um Ponto ou Status Possível de ser Alcançado?
"Aprender a repetir é coisa simples mesmo para o mais estúpido animal irracional; no entanto, aprender a questionar o ato de repetir, isso não é coisa simples..."
O Aprendiz Imperfeito
Aprender a aprender deveria ser uma disciplina formal dentro da grade curricular tradicional...
O Aprendiz Imperfeito
Aprender a aprender deveria ser uma disciplina formal dentro da grade curricular tradicional...

Falamos do Aprendiz, quando nos referimos ao indivíduo que assume o papel de um eterno discente, sempre disposto a investigar e compreender aquilo que se vivencia, para então assimilar como uma experiência definitiva que será incorporada a si mesmo. Imagine um paraíso repleto de coisas perfeitas, onde tudo seria regido pela mais perficiente harmonia, sem falhas, sem nada para ser corrigido, ampliado, ajustado, qual seria então o papel dos seus inquilinos?

Estes não estariam mais sujeitos ao aprendizado de coisa alguma, nem experimentações pessoais, uma vez que não mais existiriam objetivos a se alcançar, nem falhas sujeitas a correções, muito menos qualidades dignas de novos incrementos.

Quando se observa o crescimento de um ente de natureza biológica, logo se percebe os vários estágios, cada qual com os aspectos peculiares que delimitam claramente as fases de transição, onde a transformação cíclica é a única certeza. Entre uma fase e outra há a transferência de um estágio imperfeito para outro mais adequado, mas, nem por isso definitivo, ou perfeito.

Uma criança, por exemplo, ao crescer fisicamente, também torna possível ao seu cérebro assimilar novos experimentos, pois ganha nova capacidade mental.

Ela não deixa de ser criança, mas se transforma em outra mais capaz. Os limites próprios do primeiro estágio desaparecem; haverá a substituição por um modelo mais eficaz, ainda mais sofisticado, mais adequado à nova realidade, que é uma necessidade, uma demanda natural dessa mudança física.

O constante e cíclico transformar-se é o que caracteriza aquilo que é eterno. Não existe o eterno estático, pois este não poderia escapar das leis da transformação de si mesmo, onde aquilo que não muda, tende a definhar pelo processo da deterioração e morrer.

É uma lei natural: o que não se transforma, ou se adequa, ou melhora, se desgasta até o fim. A eterna criança seria uma entidade humana com apenas um ciclo, impedida de experimentar os demais estágios existenciais, não teria sentido sua existência. Um ciclo se acumula sobre o outro, uma vez que o estágio seguinte amplia o potencial dos anteriores.

Num mundo de perfeição, um aprendiz não teria nenhum espaço para sua transformação, sua experiência vital e espiritual, onde as falhas são seus verdadeiros mestres do autoconhecimento. Apenas em condições dessa natureza, onde as falhas poderão ser evidenciadas, poderá ele progredir, se qualificar. Deixará de ser potencial para se transformar em capaz.

Deverá aprender a partir daquilo que é imperfeito. Poderá então através dessa autoexperimentação, através dos devidos ajustes em si mesmo, deixar para trás os estágios de menor capacidade ou qualidade para alcançar níveis mais elevados.

Trata-se de um caminho espinhoso, uma vez que todos à sua volta, sem exceções, estarão na mesma trilha, dentro do mesmo modelo de viver imperfeito. Imperfeito quer dizer transitório, e perfeito significaria o permanente. Mas, não existe o permanente estático, por isso não pode existir o Perfeito. No entanto, perfeito é o eterno ciclo involuntário – que de forma apenas parcial e relativa pode ser voluntário – de reciclagem, da transformação do inadequado para o mais adequado, embora nunca o definitivo.

Perfeito é o aprendiz que se conscientiza disso, em cujo caminho a eternidade se revela com suas infinitas possibilidades, com seu eterno movimento de autoajustamento. E tudo isso são coisas perfeitas; o reconhecer-se como imperfeito, o incompleto que vê na mutação de si mesmo progresso. Não se trata da reciclagem através do aprender, mas do aprender através da reciclagem.

E assim o aprendiz se percebe imperfeito, por isso não julga nem a si mesmo. Apenas observa, pratica em si mesmo aquilo que aprendeu com suas próprias limitações e falhas. Não vê o perfeito como objetivo derradeiro, pois esse atributo ele não conhece. Mas vê nas próprias imperfeições a possibilidade de mudança. Não julga o mundo imperfeito tendo a si mesmo como gabarito, pois está ciente de que também é imperfeito. Mas, observa em si tais imperfeições e compreende a necessidade dos ajustes, e aprende durante o processo dos ajustes.

Observe o cíclico e incondicional movimento da terra em volta do sol, onde nenhum dia é igual ao anterior. Amplie isso aos confins do universo, até onde nossa imaginação é capaz de alcançar, e o que se deduz são os eternos estágios, onde o ponto de origem de qualquer coisa sempre aponta para sua transformação. Se essa transformação parece menos para nós, deve significar mais para outro, e assim por diante.

Uma pedra preciosa bruta se transforma em mais quando lhe tiram as arestas durante seu processo de polimento, logo, para esta, o menos significa mais.

Diante da imperfeição, finalmente, o aprendiz tem a oportunidade de renascer, de desenvolver novas qualidades, de migrar para novos estágios existenciais e conscienciais, mas nunca sem antes conhecer seus limites. Afinal de contas, um limite precisa ser percebido claramente, e pela cientificação do seu perímetro poderá ser ampliado, potencializado.

Observar, perceber, e finalmente compreender a si mesmo, faculta a transformação, e isto significa que houve aprendizado. Eterno é seu movimento, perfeito o seu ritmo; perfeito a sua causa e efeito. Perfeito é a eleição do imperfeito como a força motriz de todas as transformações.

Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
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Sobre a Autora:

[1] Ester Cartago - estercartago@gmail.com
É Psico-orientadora especializada em educação Integral e Consciencial, Antropóloga, pesquisadora de Fobias Sociais e também escritora. Torna-se agora mais uma colaboradora fixa do nosso site.
A autora não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

Mais artigos da autora em: http://www.sitededicas.com.br/holistica_index.htm

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