Educação Integral e Consciencial
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Irmãs e Irmãos, as relações familiares e seus conflitos
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autor: Jon Talber
Dentro do ambiente familiar são plantadas as primeiras e mais importantes sementes do condicionamento...
"E eis que, de repente, Temos em nossas mãos, dentro de nossas casas, uma real e efetiva forma de construir um novo mundo psicológico e menos patológico para nossos filhos..."
Irmãs e Irmãos
Descobrir as causas das diferenças psicológicas entre os gêneros pode ser a chave que vai abrir a porta para que finalmente exista um entendimento entre as partes...
Irmãs e Irmãos
Descobrir as causas das diferenças psicológicas entre os gêneros pode ser a chave que vai abrir a porta para que finalmente exista um entendimento entre as partes...

Quando observamos uma família, quer dizer, um núcleo familiar que acaba de se formar, percebe-se em primeiro lugar, que a despeito da relação que exista entre ele e outros núcleos semelhantes, há ali dentro, regras próprias, normas que demarcam e orienta o convívio dos integrantes. Cria-se assim um ambiente que muito se assemelha ao de uma nação separada das demais por fronteiras rigidamente guardadas, e esta é uma barreira que não se pretende romper, ou ser demovida.

Os membros daquele núcleo por sua vez, apesar de se guiar pelas normas internas, normalmente o padrão instituído por uma autoridade maior, quer dizer os pais, individualmente, também são influenciados por pontos de vista adotados em outros núcleos, o que poderá muitas vezes gerar conflitos internos, dissonâncias pessoais, atritos pequenos ou grandes. Isso ocorre porque não há liberdade para que os indivíduos escolham por si mesmos, que conheçam uma segunda opinião, uma vez que são orientados a rejeitar qualquer argumento que não esteja em ressonância com o exemplo da casa.

Internamente nunca se questiona se os membros estão individualmente satisfeitos. E há uma preocupação especial em cuidar da aparência ou estética que o grupo, como família, diante da opinião pública, deverá ter. Segundo ainda essa abordagem, a família é na verdade movida pelos anseios, não dos seus membros, mas daquele que naturalmente se coloca como autoridade máxima dentro daquela fortaleza. E nesse caso, consenso significa aceitação ou submissão a essa autoridade, e raramente, um acordo deliberado, uma concordância decidida em assembléia entre os membros.

Dentro da cultura tradicional, isso é uma coisa natural, uma vez que os filhos são formados psicologicamente a partir das próprias inclinações dos seus pais. E por automatismo ou ignorância, acreditam os pais, que seus herdeiros, psicologicamente, são filiais mentais deles próprios. Daí o costume de decidirem até sobre as aspirações profissionais dos jovens, sem considerar uma consulta prévia ou estudo de suas idiossincrasias.

Desse modo, entre os pais, ainda é predominante o hábito de tentar determinar, definir, as trilhas por onde seus herdeiros irão caminhar, até o inevitável advento do desmame paternal. No entanto, esse desejo ou roteiro é uma prerrogativa impossível de se realizar sem desvios, e, portanto, a maioria dos conflitos internos, pessoais ou existenciais, surgirão da incapacidade dos pais de perceber esse fato.

Ocorre que os influxos externos, inevitavelmente, acabarão por influenciar os filhos, que assim, logo estarão em dissonância com os pais. Ficarão confusos diante do padrão que são obrigados a aceitar em casa por força de uma autoridade, e os demais do mundo exterior, que inevitavelmente irão conhecer. E dentre as “novidades” coletadas lá fora, há muita coisa que parece se adequar melhor às suas inclinações naturais e predisposições inatas, do que aquelas acolhidas e determinadas pela mesologia caseira.

Se esse fato, pela diversidade de opiniões, deveria enriquecer ainda mais a experiência interna daquele núcleo, o que facultaria cada membro a ter mais opções de escolha, por ser aquilo um núcleo fechado, sujeito à apenas uma autoridade, uma regência maior, logo, isso não será possível. Assim, os componentes daquele grupo fechado, sufocados pelo crivo desse censor inflexível, na maioria das vezes, ficarão encurralados, e isso se torna então combustível para os inevitáveis atritos, ou as frustrações existenciais patrocinadas pelo sentimento de repressão.

Percebendo que a diversidade de pontos de vista poderá ser a base de uma experiência pessoal bem sucedida, os pais deveriam, ao invés de reprimir opiniões contrárias às suas, estimular o questionamento e os debates internos, tomando o cuidado de abrir mão do seu cetro autoritário. Em grupos de amigos e afinidades, auto-ajuda e equivalentes, a convivência entre opiniões divergentes é exatamente o fator de coesão.

Ali todos poderão ser escutados sem medo de repressão, embora isso não signifique que seus pontos de vista serão referências consensuais, ou que estejam certos. Entretanto, o simples fato de dispor do direito à liberdade de expressão, já caracteriza uma possibilidade aumentada de convívio harmônico.

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