Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
Reflexões Sobre o Viver
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autora: Anne Marie Lucille [1]
Cada indivíduo deveria reservar um espaço diário para refletir sobre sua relação com o resto do mundo; meditar sobre sua função existencial, questionar por que o homem, após milhares de anos sobre a terra, ainda não consegue viver em paz...
"O objetivo da vida determinado por livros místicos ou tratados religiosos tem o mesmo valor que uma pedra preciosa para uma galinha faminta..."
Reflexões Sobre o Viver
O destino aparente do homem normalmente é determinado pelo meio social. Já o verdadeiro; este, ele terá que descobrir sozinho...
Reflexões Sobre o Viver
O destino aparente do homem normalmente é determinado pelo meio social. Já o verdadeiro; este, ele terá que descobrir sozinho...

Tudo que existe tem uma utilidade, ou não existiria. Isso equivale dizer que toda causa tem um efeito. Isso também equivale dizer que a existência do homem tem um motivo, a ação do homem outro motivo. E assim, numa sucessão de desdobramentos impossíveis de se conter, o resultado de suas ações, logo se tornarão efeitos para o autor e possíveis causas para outros personagens.

E como nada que exista é sem motivo, cumpre entender que toda ação, sendo ou não de origem humana, tem como resultado um novo efeito e consequentemente uma ou mais novas causas.

Se tudo possui dois lados, isso significa que toda alegria só existe porque existe o seu oposto. Assim, tristeza e alegria, como as conhecemos, são nuances de um mesmo estado. Colocadas em uma escala polarizada, apenas o grau de intensidade é o que determina uma ou outra coisa.

Lembre-se sempre de que, menos alegre ou mais alegre é uma mesma coisa. E isso equivale ao mesmo que, mais triste ou menos triste. São polarizações de uma mesma condição. Mais alegre quer dizer, menos triste; menos alegre, mais triste.

É como o quente e o frio, que indicam o nível de graduação, variação, de uma mesma coisa, que é a temperatura. Ou ainda escuridão e claridade, que retratam aspectos polarizados de uma mesma coisa, ou seja, a intensidade da luz.

Já no caso do Ruim e do Bom, estes não são opostos de uma mesma condição, e sim coisas distintas. E cada um possui também dois aspectos. Por outro lado, o ruim não pode se transformar em bom, assim como o seu inverso. Isso ocorre porque, em ambos os casos, as condições Ruindade e Bondade, continuariam a existir, um a despeito do outro. O Bom poderá ser pouco ou muito, mas jamais Ruim. A mesma regra se aplica à situação contrária. Um não anula o outro; são, portanto, estados independentes.

Cada coisa em nosso mundo está regida pela inflexível lei da dualidade. Menos e Mais, são estes os dois status básicos. Verde e maduro, escuro e claro, noite e dia, quente e frio, velho e novo, e assim por diante.

Uma resposta não constitui uma verdade, mas apenas um aparente desdobramento para um dado problema. Não conhecer a História Universal, em nosso dia a dia, não constitui um problema, nem uma necessidade, mas para um aluno em idade escolar, sim.

Assim, um evento histórico, para as necessidades específicas e pontuais daquele grupo dentro da sala de aula, pode ser tratado como uma “verdade” capaz de resolver suas questões acadêmicas, mesmo que o fato contextualizado não represente de uma verdade factual. Ou seja, a necessidade da turma pela informação é uma verdade, mesmo que a informação capaz de suprir suas necessidades seja falsa.

Uma ação é sempre acompanhada por uma reação. Trata-se de uma lei Física, não há como mudar. Isso implica dizer que agimos porque fomos programados, instruídos ou incitados a agir, e para quaisquer que sejam nossas ações, sempre haverá um resultado. E como tudo tem dois lados, um será visível e mensurável, enquanto que o outro não.

A indiferença é uma ação, assim como também a omissão, e não são atitudes neutras, uma vez que nesse campo a neutralidade não existe. Uma omissão representa uma ação, uma vez que se guia por gabaritos e parâmetros que foram usados pelo crivo do nosso modelo decisório.

Na natureza das coisas dualísticas, não existe beneficio por uma ação conscientemente praticada, mas apenas a ação praticada em busca de benefícios. Isto quer dizer que, nossos critérios de julgamento não interferem no cumprimento das leis universais regentes de todas as coisas, mas interferem e ditam os critérios e leis que criamos para nos reger, punir ou compensar, nossas demandas.

A palavra serve para descrever uma coisa ou situação, mas, no caso de sentimentos ou sensações, se torna incapaz de proporcionar ao leitor a experienciação que tenta ilustrar, por mais simples que esta pareça. No máximo, ao ouvir, ele poderá sentir pela imaginação, o que não representa o fato em si. Isso ocorre porque a palavra não é a coisa, embora seja capaz de, virtualmente, superficialmente, descrevê-la.

Desse modo, a compreensão é apenas relativa, conforme o condicionamento de cada um, não representando ainda uma verdade para o ouvinte. Isso equivale a afirmar que, em caso de não experimentação ou vivência, as palavras retratam uma situação, a imaginação de cada um cria a respectiva conclusão.

Logo, não há como traçarmos juízos de valores consistentes para uma situação não vivenciada, uma vez que para tal, a relatividade não poderia estar presente. A relatividade retrata um aspecto apenas parcial, ou parte da verdade, e parte da verdade é uma meia-verdade. E meia verdade não pode servir de jugo para o que quer que seja.

Julgamos pelas aparências e, como as palavras, cujo sentido não pode se expressar através delas, também as aparências tendem a nos enganar. Se uma situação significa algo para uns e coisa distinta para outros, logo, não é possível traçar um juízo perfeito, ou um parecer imparcial sobre a questão. No máximo só podemos aferir a coisa concreta. Ou seja, com uma pedra em mãos, sua existência poderá ser constatada independente de nossos julgamentos, sistemas de crenças ou percepção relativa.

Instrução é qualquer coisa que nos sirva de roteiro para uma ação. Assim, para qualquer ação há sempre uma orientação prévia ou aprendizado. Isso nos faculta a afirmar que, erros e acertos, ambos, são resultantes de instruções. Isso significa dizer que um erro se aprende do mesmo modo que um acerto. E no caso dos erros que ocorrem enquanto se tenta acertar, podemos considerar como acertos em andamento.

Errando acertamos, e acertando, apesar de nos capacitarmos para não repetir os mesmos erros, não podemos erradicar o atributo “erro” de nossas vidas, uma vez que sempre nos conduzirão aos acertos. Assim, erro e acerto são aspectos polarizados de uma mesma coisa, etapas crescentes e permanentes de uma construção, caminhos necessários e convergentes a um objetivo final que é nosso progresso pessoal.

Conhecer nossos limites, nossas causas a partir de efeitos experienciados, nos proporcionará mais lucidez, e com isso teremos uma visão mais ampla das consequências dos nossos atos. E ação é como uma parede em permanente construção, isto é, um tijolo sempre se assentará sobre o outro, numa cadeia perpétua, onde o ontem se fixará como a base do hoje ou agora.

Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
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Sobre a Autora:

[1] Anne Marie Lucille - annemarielucille@yahoo.com.br
Franco-brasileira, pesquisadora na área da Psicopedagogia e Antropóloga. Atua como consultora educacional especializada em Educação Integral e Consciencial.
A autora não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

Mais artigos da autora em: http://www.sitededicas.com.br/holistica_index.htm

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