Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
A Renovação de um Aprender
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autores: Jon Talber e Anne Marie Lucille[1]
O ato de aprender é uma atividade que apesar de ter um início, jamais chega ao fim. Por outro lado, as oportunidades para as novas descobertas poderão não mais se repetir...
"Acordar cedo sem planejamento prévio e organização das tarefas diárias, é o mesmo que pular em um precipício desconhecido esperando encontrar amparo suave antes de chegar ao chão..."
A Renovação de um Aprender
O resgate das antigas vivências poderão nos servir de modelo para que possamos descartar os erros e potencializar os acertos...
A Renovação de um Aprender
O resgate das antigas vivências poderão nos servir de modelo para que possamos descartar os erros e potencializar os acertos...

Imagine um mundo estático, onde nada mais precisasse ser modificado, ajustado, aperfeiçoado, recriado. Poderíamos chamar esse mundo de perfeito? Será que o sabemos? Parece que, para nós, o perfeito não passa de uma coisa “bem feita”, adequada às nossas necessidades.

Vide um dispositivo eletrônico, com seu acabamento impecável; aquela aparência sofisticada, o design futurístico e elegante, cantos arredondados e suavizados, e por trás de tudo isso, de maneira implícita, está a ideia, o sentimento de infalibilidade e perfeição que o apetrecho nos suscita quando o temos em mãos.

São os nossos critérios, nossos gostos e preferências, nosso condicionamento, nossas regras, as referências que temos para categorizar e qualificar o status dessa imagem. Entretanto, trata-se apenas de um objeto tecnologicamente bem feito, bom acabamento, útil para cumprir sua função, aquele propósito para o qual foi projetado e depois construído, nada mais que isso.

Ainda não é perfeito, jamais o será, nem seria essa a intenção do fabricante. Está sujeito à falhas, ao desgaste, o tempo será implacável com ele, tornando-o obsoleto, coisa ultrapassada. Outros virão com a mesma proposta, e para nós, desde que cumpram o papel que lhes foi atribuído, sem dúvida, poderão ser considerados coisa perfeita.

Os novos modelos serão construídos a partir dele, daquele projeto inicial, dos alicerces já criados. Ele não poderia se renovar nascendo do zero, mas apenas se construído sobre si mesmo. Como seria possível o aperfeiçoamento de alguma coisa sem outra pré-existente?

Dentro da natureza, a despeito de sua imensa diversidade e complexidade, onde as engrenagens ocultas das coisas funcionam gerenciadas por uma grande e misteriosa força, qual seria o real objetivo de tudo, se já houvesse perfeição?

O perfeito poderia ser criado? Bem feito não é perfeito, mas é perfeito o movimento que regenera, recicla, descontinua, potencializa e amplifica todas as formas, de todas as coisas existentes.

E todas as coisas principiam porque ainda não são perfeitas. O início é a primeira evidência da imperfeição, ou não precisaria ser criado. Sendo perfeito, existiria para sempre, sem alterações, sem necessidade de atualizações ou correções. Mas essa concepção está equivocada, uma vez que a mesma demanda que cria uma necessidade, não pode permanecer estática para sempre.

O status de uma necessidade invariavelmente irá mudar depois de atendida. Assim, uma solução perfeita para um momento já não mais o será para outro. A solução perfeita deveria contemplar a possibilidade de mudanças, e eis o grande paradoxo. O objeto perfeito já estaria finalizado, e dele nada mais se poderia tirar ou acrescentar. Seria perfeito apenas para um momento, mas para outro, imperfeito. Não sendo mais necessário, qual seria sua função? Certamente que nenhuma, portanto, não teria motivo existencial.

A renovação, a reciclagem permanente é então a única motivação existencial. Tudo que é criado o é porque precisa ser renovado, reestruturado para ser útil sempre. Origem é o aparente ponto de partida, embora seja impossível delimitar o ponto de chegada. Nesse processo de imperfeição permanente, perfeito é o movimento de atualização e ajuste, sempre partindo de uma minoria para uma maioria, sempre de forma vertical, crescente.

Podemos aprender com o renascer diário. Podemos nos redescobrir com o viver de cada dia, com nosso viver. Não renascemos a cada dia ao acordarmos? Engana-se aquele que se imagina renovado ao nascer. Não se renova ao nascer; renova-se ao modificar-se depois de nascido, e esta é a essência da natureza, com seus ciclos eternos de mudanças, mesmo que nem todas essas transformações sejam visíveis ou mensuráveis.

Nosso pensamento é estreito, não consegue enxergar além das memórias de uma vida. Nega assim o eterno dom do aprender sobre o aprendido. Supondo uma semente, que depois de aperfeiçoada seja capaz de gerar novas árvores, estas superiores à da sua própria origem. A nova árvore terá sua essência, seu espírito aperfeiçoado, e seus herdeiros poderão evoluir partindo de uma evolução prévia.

Observe o inicio de cada coisa, suas mudanças incondicionais, fato sobre o qual não temos controle. Podemos nos dar conta de que as mudanças ocorrerão de qualquer forma, mesmo que seja o modo involuntário – embora possamos mudar essa escrita a partir de nossa vontade –, e isso nos facultaria a compreender o nosso motivo existencial.

Existimos simplesmente porque precisamos mudar, não fosse assim, estaríamos na contramão da própria natureza, onde seu movimento cíclico, muda tudo, sempre. E se dela somos parte integrante, então, estamos sujeitos às suas leis. E se há uma criação, e também um movimento espontâneo que se encarrega de reciclar suas próprias criações, então, para tudo que existe há um motivo, uma função. Função sugere uso, utilidade, e também faz parte desse movimento incontrolável. Sem função, significa sem uso, estático, morto.

A ideia de uma perfeição sugere conclusão; significaria o fim do próprio movimento de reciclagem, o que implicaria numa eterna continuidade estática, e até poderia ter uma função, mas, pelo fato de não mais se renovar, logo se tornaria incapaz, obsoleto. Um universo imutável seria um universo morto. Aquilo que é inerte, que não se desgasta ou se renova, está morto, deixaria de ter utilidade, ficaria fora de sincronia com aquilo que obedece às leis das mudanças sobre mudanças.

Nascer é renovar-se. No entanto, aquilo que é renovado terá que deixar de lado o que não mais lhe serve. Mas, o descartado servirá para outros, sempre de acordo com seu momento evolutivo. Lapida-se um diamante, não pela inclusão de mais camadas sobre sua superfície bruta, mas pela suavização daquelas existentes. Aquilo que é jogado fora tem sua utilidade para outros, mas, paradoxalmente, o descarte dessa escória é exatamente o que torna a jóia mais valiosa. No caso da jóia, ela aumenta de valor quando abre mão daquilo que não mais lhe serve.

O Ato de aprender sobre os erros cometidos explica bem esse processo. Quando os erros se transformam em acertos, perdemos uma coisa negativa e ganhamos uma positiva. Mas, o positivo teve sua origem no negativo. É como no caso do diamante, ao perder ele ganha mais.

Uma camada de tinta aplicada sobre outra, e outra, e mais outra, fortalece cada vez mais o revestimento da parede. E assim são os acertos a partir de erros. Por outro lado, um acerto se transforma em outros tantos, nos permite identificar outros erros, qualifica e amplifica nossa percepção e compreensão. Trata-se de um processo que potencializa nossa capacidade mental, ampliando nosso status decisório, facultando avaliar nossas escolhas com mais precisão e lucidez.

Sabendo como errar de menos, serei capaz de acertar mais. Terei aprendido a lei básica da natureza, onde, um conserto só é possível de ocorrer onde existe uma falha ou deficiência. E ao final de tudo isso, invariavelmente, mais qualificada será minha condição. Meu conhecimento terá extrapolado para além dos seus limites primários.

Reconhecendo o erro como erro, me torno mais ágil e judicioso em busca dos acertos. E o mais importante, aprendi a realidade de que, algumas vezes, eu posso estar errado. Esse reconhecimento, de forma irrefutável, é um grande acerto.

Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
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Sobre os Autores:

[1] Anne Marie Lucille - annemarielucille@yahoo.com.br
Franco-brasileira, pesquisadora na área da Psicopedagogia e Antropóloga. Atua como consultora educacional especializada em Educação Integral e Consciencial.
A autora não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

Jon Talber - jontalber@gmail.com
É Pedagogo, Antropólogo e escritor especializado em Educação Integral e Consciencial. Estudou por mais de 30 anos as filosofias orientais e o comportamento das muitas culturas do mundo, seus sistemas educativos, doutrinas, dogmas, mitos, etc. Torna-se mais um colaborador fixo do nosso Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu ao longo de sua jornada.
O autor não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

Mais artigos da autora em: http://www.sitededicas.com.br/holistica_index.htm

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