Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
A Criança e os Hábitos
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autores: Jon Talber e Ester de Cartago[1]
Dentro da atual concepção comportamental, o que inclui o processo pedagógico praticado em nossa mesologia, haveria espaço para a criação de uma geração centrada em hábitos saudáveis?
"Ensinar uma mania é coisa simples de se fazer, o problema maior é desfazer-se dela depois..."
A Criança e os Hábitos
Criar um hábito é relativamente fácil, já esquecê-lo não é uma tarefa tão simples quanto a primeira...
A Criança e os Hábitos
Criar um hábito é relativamente fácil, já esquecê-lo não é uma tarefa tão simples quanto a primeira...

Lembre-se sempre de que, a mente de uma criança é como uma folha de papel em branco, na qual podemos escrever qualquer coisa.

Dotada de um cérebro, este naturalmente tende a se desenvolver, cumprir seu papel. Dentre eles, o de pensar de forma lógica. A lógica cerebral se baseia numa coisa bastante simples, e esta é: É coisa “necessária à sobrevivência”, serve e será gravada na memória como coisa boa; não é coisa necessária à sobrevivência, também será gravada, mas, como coisa má ou desnecessária. Vale frisar que, à medida que aumenta a idade, o conceito de mau ou bom passa a ser classificado como aquilo que proporciona ou não satisfação, um bem estar consciente.

Nessa folha em branco, que é a sua mente, que logo se transformará em sua personalidade, identificando-a como um indivíduo que pensa e age dentro da sociedade, podemos gravar todos os tipos de comportamentos, saudáveis ou patológicos, sendo ou não compatíveis com seu temperamento.

Nesse contexto, estudar a discreta sinalética do temperamento de cada uma vai ajudar o educador a conhecer melhor quais são suas predisposições inatas, aquelas que precisarão ser lapidadas para menos ou para mais. De um diamante bruto, quando se retiram os excessos através da lapidação, ele ganha mais valor. A mesma analogia ilustra bem um defeito, e quando ele é trabalhado retirando-se os excessos, torna-se de menos, por isso também se ganha mais.

A criança aprende através do processo de imitação, isto quer dizer que, vendo o exemplo dos outros, sejam hábitos ou gestos simples como pegar e segurar objetos, ela acabará por se tornar um “hábil” repetidor de qualquer coisa.

Seus medos e preferências, isso também ela apreende, assimila na íntegra a partir do exemplo, do modelo sugerido pelos adultos, que somos nós.

É importante frisar que, primeiro as crianças tendem a imitar os comportamentos daquelas pessoas que ela admira ou confia; com os quais possui vínculos afetivos mais importantes. E estas são os pais, irmãos mais velhos ou parentes mais próximos.

Os vícios, as manias e os hábitos que detestamos, ou atitudes não éticas, tudo isso são exemplos de orientações que os adultos transmitem, e que poderão ser absorvidos por aquela folha em branco, onde podemos escrever qualquer coisa.

Não subestime a capacidade de assimilação que possui uma criança. Ela é capaz de perceber mesmo a mais discreta variação de humor dos adultos, vestígios de impaciência, manias, gestos e atitudes não edificantes. Quando se compara com os adultos, seus sentidos são extremamente mais apurados. É uma estratégia de sobrevivência da natureza, uma vez que nesse estágio etário da vida, ela precisa assimilar rapidamente todas as manobras que a permitirão subsistir em seu meio.

Ela apreenderá absolutamente tudo, sem códigos de éticas ou culpas presentes, pois, sendo uma folha em branco, terá como única opção imitar aqueles que estão à sua volta, com seus exemplos de conduta, repetindo seus gestos, procedimentos, preferências, manias, vícios e hábitos, por mais bizarros que sejam. Como não tem discernimento, senso moral ou compunção, apenas tende a imitar, reproduzir aquilo que seus sentidos conseguem captar, seja o que for.

Desse modo, ela também aprenderá a odiar e gostar, a preferir e desprezar, a ser moralmente fraca ou forte. Aprenderá a ser firme e a ter coragem para enfrentar os obstáculos da vida, ou uma fraca que sucumbe facilmente diante de qualquer problema, por insignificante que seja.

E finalmente, lembre-se, uma criança ao nascer já adentra num mundo repleto de comportamentos milenares e patológicos, recheado por todos os tipos de códigos e símbolos bizarros, onde incontáveis personalidades psicologicamente desorientadas se antagonizam entre si em busca de espaço.

Ali encontrará hábitos e manias que se repetem dentro de uma cadeia temporal que se arrasta ao longo de milhares de anos e gerações, passando de pai para filho, de individuo para individuo. E ela, a criança, como um novo protagonista nesse grande palco, certamente, também acabará por se tornar um desses personagens, ou uma bizarra caricatura incorporando retalhos de traços psicopatológicos de todos eles.

Defeitos ou virtudes, alienações ou clareza crítica, tudo isso faz parte desse imenso repertório de caracteres idiossincrásicos secundários, dessas inúmeras personalidades, das quais essa criança irá extrair partes para integrar, compor, construir seu próprio modelo de conduta. Certificar-se de que irá assimilar um máximo de atributos positivos, esse é o papel ético de todo educador, pai ou responsável.

E já que não temos competência para evitar a assimilação dos incontáveis engasgos que mente social é capaz de transmitir, mesmo quando sabemos tratar-se de uma condição patológica, é nosso dever gerenciar, acompanhar, vigiar, cuidar para que mais aspectos úteis façam parte desse lastro cognitivo. É nosso dever apresentar um repertório de informações alternativas e profícuas, traços positivos, que acabarão por construir e dar forma a psique desse novo cidadão.

No entanto, esse lastro social doente da mente coletiva, deve ser tratado como a um enfermo, que necessita de cuidados urgentes. Trata-se de uma intervenção cirúrgica radical, onde as deformações incuráveis precisarão ser extirpadas de uma vez, sem deixar resíduos, mas apenas lembranças de sua inutilidade.

Entretanto, apenas isso não basta. Potencializar e requalificar os traços fortes daquele temperamento é a solução para que um novo e reciclado comportamento possa vir à tona. Se a reciclagem dessa mente doente não acontece, não devemos nos iludir na esperança de que alguma mudança irá um dia ocorrer, especialmente de modo espontâneo.

Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
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[1] Jon Talber - jontalber@gmail.com
É Pedagogo, Antropólogo e escritor especializado em Educação Integral e Consciencial. Estudou por mais de 30 anos as filosofias orientais e o comportamento das muitas culturas do mundo, seus sistemas educativos, doutrinas, dogmas, mitos, etc. Torna-se mais um colaborador fixo do nosso Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu ao longo de sua jornada.
O autor não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

Ester Cartago - estercartago@gmail.com
É Psico-orientadora especializada em educação Integral e Consciencial, Antropóloga, pesquisadora de Fobias Sociais e também escritora. Torna-se agora mais uma colaboradora fixa do nosso site.
A autora não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

Mais artigos dos autores em: http://www.sitededicas.com.br/holistica_index.htm

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