Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
Mitos e Verdades sobre os vícios, manias e hábitos criados por Nós
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autor: Jon Talber[1]
A Disciplina começa quando educador e educando estão interessados numa mesma coisa...
"Ensinar uma mania é coisa simples de se fazer, o problema maior é desfazer-se dela depois..."
Hábitos e Comportamentos, como se Criam
De tanto repetir padrões patológicos, quase nos esquecemos de que também somos capazes de viver sem eles...mas, só se quisermos...
Hábitos e Comportamentos, como se Criam
De tanto repetir padrões patológicos, quase nos esquecemos de que também somos capazes de viver sem eles...mas, só se quisermos...

Ao contrário daquilo que imaginamos, um mau hábito não se corrige com um bom hábito, mas com o abandono desse mau hábito. Sem deixar de lado o antigo hábito, a cura não é possível.

Se a prevenção é o melhor remédio, isso significa planejamento. Significa que precisaríamos planejar nossos atos, e mesmo a educação de um filho, deveria ser cuidadosamente estudada antes mesmo de sua concepção. Não estamos falando da educação em escala, da mecanizada, esta que já se pratica largamente em todos os lugares, ou instituições, sejam pagãs, sejam religiosas.

Falamos da educação onde o instrutor é ao mesmo tempo educando e educador. Transmitir conceitos impressos com o propósito de que o aluno assimile a experiência implícita por trás das palavras é o mesmo que tentar construir uma casa começando pelo teto. Evidentemente, isso não será possível. Fazendo uma analogia, seria como conhecer o caminho de volta de um lugar que não existe.

A palavra jamais significará a coisa que se presta a retratar. Mas serve como roteiro para informar que aquilo merece ser examinado, investigado, e, finalmente, se for possível, evidenciado, autenticado, comprovado pelo indivíduo. Só o indivíduo pode comprovar, uma vez que compreensão factual só poderá existir a partir da experiência pessoal.

Disciplinar pela força de uma tradição, ou pela imposição do medo, ou por meio de compensações, é o mesmo que tentar remendar roupa velha com retalhos ainda mais velhos. Não funciona, não há como esconder o dano. Ocorre que, a roupa remendada jamais poderá deixar de ser velha, nem pelas mãos do mais habilidoso alfaiate, nem com o mais nobre tecido a tentar esconder suas falhas.

Educamo-nos, tanto nos maus, quanto nos bons costumes, e tudo isso faz parte da nossa cognição. Uma criança aprende porque é sua função, e não porque existem os instrutores para isso. Um instrutor a direciona para um determinado objetivo, que pode ser improdutivo ou produtivo. O aprender pode significar involução ou retrocesso, ou evolução e progresso. Para repetir conceitos e tradições, como isso não requer o emprego da dúvida, não precisamos de instrutor, uma vez que o ato de saber imitar, que é uma capacitação de berço, é único pré-requisito.

De aprender todos são capazes. Saber destruir e construir, ambas, são formas de aprendizado que requer instrução. Saber direcionar esse aprendizado para destruir ou construir de forma consciente, dirigida, planejada, eis a função do docente. Se destruir um vício é o objetivo, eis o papel da verdadeira instrução. O mesmo vale para a construção ou potencialização de uma virtude.

Para se curar de um vício ou mania, ou de um mau comportamento, o processo é o mesmo. Primeiro é preciso saber o que cada uma dessas coisas significa para nós. Não a conceituação etimológica, mas como são criadas pelo nosso pensamento e reforçadas pelo temperamento, e o mais importante, por que se transformaram em traços de nossa personalidade; em dependências, e com freqüência, em psicopatologias.

Sim, um mau comportamento, para nosso cérebro, tem o mesmo peso de um vício, trata-se de um hábito, um gesto mecanizado que não precisa de intelecto para ser processado, e depois fixar raízes e florescer.

Observe uma mente vazia, e ela estará sempre em busca de uma ocupação. Pode ser qualquer coisa, tanto o que formalmente consideramos inútil, quanto aquilo que igualmente julgamos útil. Nesse vácuo criado pela ociosidade, falta de direcionamento consciente, ausência de coerência, se manifestam os vícios, as manias, os pensamentos patológicos.

Uma criança pequena é incapaz de raciocinar com clareza, ainda não possui um lastro de informações, uma quantidade de memórias suficientes para isso. Possui ainda idiossincrasias inatas para assimilar. Isto é, poderão sentir atração e afinidade por uma coisa ou outra, sejam alvos específicos, patrocinados ou sugeridos pela mesologia. Mas, a despeito de tudo isso, já é uma exímia imitadora. A mesma regra vale para um cãozinho pequeno, irracional, que possui o dom de ser amestrado, mas ainda carece de um instrutor para direcionar e qualificar seu aprendizado.

Para aprender a andar não precisa pensar, basta saber imitar aquilo que se vê. O Pensar qualificado requer planejamento; requer informação, organização, um objetivo e uma motivação, e nunca é involuntário. Ao contrário, a imitação sempre o é. Não devemos confundir o processo de imitação inato, com o desejo de imitar pós-nato ou voluntário.

O vício ou hábito não se cria, apenas se recria, se multiplica pela imitação, se amplifica pelo temperamento ou tendências naturais de cada um. Um vício somático, quer dizer uma químiodependência motivada por drogas, salvo anomalias genéticas, começa com uma orientação psicológica, e a porta de entrada é a psique, a vontade deliberada ou pensamento.

Salvo as exceções genéticas – a exemplo de um filho de uma mãe já viciada em drogas –, ninguém se vicia em alguma coisa involuntariamente. A causa do vício começa na psique, e a depender dos desdobramentos, poderá se tornar uma patologia física. Não existe desejo inconsciente, todos são conhecidos, calculados, pensados. Se a mente se torna dependente de uma mania, é simplesmente porque aquilo lhe proporciona algum tipo de satisfação. Não existe vício sem satisfação, ou seria aversão, o que representaria o fim do problema.

Por que ninguém é viciado em algo que não lhe proporciona algum tipo de prazer ou satisfação? Efeito colateral é uma coisa, satisfação outra. Veja-se o guloso. Ele come sem medir as consequências, ou sem contemplar uma eventual indigestão. Mas, tanto o mal estar do excesso, quando a indigestão em si, não são os efeitos primários pretendidos. Antes disso, o objetivo é o prazer que lhe proporciona a sensação de saciedade, o sabor das iguarias, e assim por diante.

Dependência psicológica está sempre associada ao prazer. Confunde-se, equivocadamente, dependência física com psicológica. Não é a mesma coisa, embora, pareça ser; embora, algumas vezes, uma seja reforçadora da outra. Ter fome é uma dependência física, uma necessidade, mas não um vício, nem um desejo. Por outro lado, fumar é um desejo, que pode se transformar em vício, ou dependência física, mesmo não sendo uma necessidade somática; ou seja, nosso corpo não precisa de um suprimento de nicotina para sobreviver.

Mas nosso pensamento julga que sim, que precisa. Evidentemente que está equivocado, doente, em desequilíbrio. Isso ocorre porque é uma mente mecanizada, preguiçosa, que não pratica a virtude da dúvida; uma mente que se especializou na indolência, que se presta tão somente a imitar. Em terra sem dono, onde os residentes se recusam a pensar, manda quem tem o argumento que parece oferecer mais vantagens.

Assim, nosso pensamento, no final das contas, é o agente responsável por determinar todas as nossas dependências. Uma mente organizada pela disciplina, por ser inquisitiva, que tem no aprender uma vocação, está sempre ocupada, repleta de afazeres profícuos, pois esta é sua natureza. Uma mente mecânica, ociosa, preguiçosa, imitativa, não inquisitiva, não tem rumo, nem projetos, e sempre irá se dispor a repetir qualquer coisa, inclusive as deformações.

Através do esclarecimento, cabe ao educador ou pai direcionar a mente infantil para que se torne capaz de construir; para se tornar uma multiplicadora de virtudes e jamais uma replicadora mecanizada de vícios negativos e maus hábitos.

Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
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[1] Jon Talber - jontalber@gmail.com
É Pedagogo, Antropólogo e escritor especializado em Educação Integral e Consciencial. Estudou por mais de 30 anos as filosofias orientais e o comportamento das muitas culturas do mundo, seus sistemas educativos, doutrinas, dogmas, mitos, etc. Torna-se mais um colaborador fixo do nosso Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu ao longo de sua jornada.
O autor não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

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