Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
Inteligência e Autoridade
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autor: Jon Talber[1]
O papel das autoridades, especialmente as religiosas ou doutrinárias, parece ser o de nos convencer de que sem elas estaremos perdidos...
"Um boneco de corda só é capaz de funcionar pela vontade do seu dono..."
Inteligência e Autoridade
A Inteligência é um atributo que quanto menos você possui, menos dará pela sua falta...
Inteligência e Autoridade
A Inteligência é um atributo que quanto menos você possui, menos dará pela sua falta...

Muitos, talvez a quase totalidade dos educadores e homens preocupados em aplicar as centenas de teorias pedagógicas existentes para mecanizar os estudantes, acreditam que, ensinando-se cada ser humano a ler e a escrever, talvez torná-los cultos, por reflexo, resolverão todos os problemas desse mundo, especialmente aqueles de ordem existencial. Mas esquecem que erudição não é a mesma coisa que inteligência, lucidez consciencial, ou sensatez.

Afinal de contas, por trás de cada grupo que defende o caos, a anarquia urbana, a feitura de uma mente social que esteja inclinada a seguir seus ideais patológicos, a cultuar as doutrinas belicistas, o que existe senão uma autoridade culta especializada no conhecimento humano, um idealista?

E nos tempos de suposta paz, onde governos democráticos, totalitários ou socialistas, cujo lema é sempre conduzir seu povo para onde apontam seus interesses pessoais, estes também não são dotados de vasta cultura? E os cientistas sem ética, sem sensibilidade, movidos pela ganância do acumular cada vez mais méritos, reconhecimento público, dinheiro e poder, criadores das mais letais armas de destruição em massa, também estes, não são dotados da mais elevada e qualificada cultura acadêmica ou conhecimento?

E o que dizer das autoridades criadoras das ideologias, os chamados cientistas sociais, ou sábios, ou homens santos, gurus ou ministros religiosos, cujos ideais apenas se prestam a alimentar seus egos sedentos de idolatria e poder, para depois conduzir pelo cabresto sua legião de devotos através da prática do medo?

Estas autoridades que limitam até o modo de pensar de cada homem, determinando seus desejos e o que deverão esperar da vida, conduzindo-os como a uma manada de animais do seu pasto ao matadouro, também estes, não são dotadas de um vasto saber?

Podemos ser bastante cultos, eruditos, doutores em literatura, donos de todo saber humano, entretanto, ao seguirmos uma autoridade, quando nos submetemos aos caprichos de um indivíduo, grupo, ideologia política ou religiosa, não estamos também negando nossa própria liberdade de expressão e identidade? Se não somos capazes de pensar por conta própria e nos deixamos conduzir pelo pensamento alheio, ideologias ou movimentos sociais, haverá diferença entre nós e um autômato, um mecanismo robotizado, que foi programado para cumprir as demandas de uma linha de produção? Onde está então nossa inteligência e consciencialidade, será tudo isso coisa de segunda mão?

Se não estamos qualificados ou capacitados para pensar com liberdade e lucidez, por que devemos achar que existe em nós algum vestígio de inteligência? Há em nós inteligência quando sequer usamos nosso cérebro para decidir, opinar sobre nosso próprio destino e aspirações, o modo como devemos nos relacionar com esse mundo e todas suas variáveis? Se somos conduzidos sem questionar, sem direito à liberdade de escolha, enclausurados atrás das grades de um dominador, não há diferença entre nós e uma manada de animais irracionais a caminho do matadouro, indiferentes ao perigo que os espreita.

Supondo que iniciemos uma jornada em direção a um ponto, um destino qualquer. Podemos nos dirigir a esse ponto sem saber o motivo, sem saber o que iremos encontrar no final, ignorando nossos limites, e ainda assim nos considerarmos sensatos ou inteligentes? Afinal de contas, o que é, para nós, inteligência?

Observe um robô movido por um mecanismo analógico, a chamada corda, como se prestam a repetir para sempre o mesmo gesto ao aperto de um botão. Há então diferença entre eles e alguém que simplesmente, sem questionar ou divergir, cegamente abraça uma ideologia e as deliberações egocentradas de uma autoridade que o controla, que o faz repetir a exemplo de um papagaio amestrado suas deliberações e desejos?

Há uma mecanicidade óbvia em nossos gestos e hábitos. Basta observar como tentamos repetir a conduta, preferências e manias dos nossos pais, amigos, ídolos, gente da moda, e como em pouco tempo, em nós, esses caracteres tendem a se transformar em hábitos. Uma voz de comando, de tanto repetir uma sugestão, acaba por desmontar até mesmo nosso temperamento original. Desse modo, uma criança de natureza pacata é capaz de se tornar um temível soldado, disposto a matar um inimigo imaginário, apenas para cumprir as escabrosas ordens do seu comandante.

Nesse processo inteiramente mecânico, onde velhos hábitos são imitados e ajustados às nossas idiossincrasias, não existe um pensador, pois nada de novo é criado ou modificado, apenas copiado e colado. Chamamos de inteligência a capacidade inata que todos possuem de imitar, quando o mais lógico e sensato seria considerarmos inteligente aquele que se recusa a imitar, que age de forma independente, que está disposto a divergir, a questionar antes de agir.

No entanto, esse simples ato de questionar pode significar seu isolamento, uma vez que ao repudiar a imitação haverá uma ruptura entre ele e o padrão sistemático que a maioria adotou como guia. Por isso, para tomar essa decisão, falta coragem, e bem poucos estão dispostos a carregar esse fardo.

Nasce a inteligência quando há a liberdade para o natural questionamento. Pode ser uma questão simples, como, por exemplo: “Por que devemos escovar os dentes três vezes ao dia?” Ao sentir-se livre para questionar, também o indivíduo está livre para ser criativo, deixando a imitação de lado. Imitar não é uma ação criativa, chama-se a isso de plágio, clonagem ou pensamento de segunda mão. Mas, é dentro dessa mentalidade onde estão confinados todos os sistemas pedagógicos.

Agora observe as incontáveis gerações às nossas costas, com seus ritos e guias, que mais se assemelham a cegos conduzindo cegos. E também os santos e sábios com suas inumeráveis crenças e sistemas doutrinários, e ainda nos encontramos na dependência de um milagre vindo de fora, capaz de remodelar o homem por dentro.

Não seria mais sensato questionarmos: “Por que a resposta para resolver esse problema deveria estar nas mãos desses criadores de soluções, sabendo-se que são eles os autores de toda essa confusão?”

A lógica é simples: Pode o caos criar a harmonia? Então, afinal de contas, estamos esperando o que? E depois de tanto tempo, diante de conflitos que se tornam cada vez mais complexos, onde uma solução mais parece conto da carochinha, tudo isso não seria uma evidência de que nossa postura está errada?

Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
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[1] Jon Talber - jontalber@gmail.com
É Pedagogo, Antropólogo e escritor especializado em Educação Integral e Consciencial. Estudou por mais de 30 anos as filosofias orientais e o comportamento das muitas culturas do mundo, seus sistemas educativos, doutrinas, dogmas, mitos, etc. Torna-se mais um colaborador fixo do nosso Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu ao longo de sua jornada.
O autor não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

Mais artigos do autor em: http://www.sitededicas.com.br/holistica_index.htm

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