Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
Verdades sobre Meninos e Meninas que talvez você não Conheça
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autor: Jon Talber[1]
O ato de Compartilhar experiências entre os gêneros deveria ser a coisa mais natural do mundo...
"A prática sistemática da competição entre os alunos é o combustível que incita e Apóia a animosidade e o antagonismo entre amigos..."
Meninos e Meninas
Como seres humanos somos iguais em necessidades, em destino, e parceiros de uma mesma causa...
Meninos e Meninas
Como seres humanos somos iguais em necessidades, em destino, e parceiros de uma mesma causa...

Até os três anos de idade, as crianças não sabem o que diferencia um menino de uma menina, e a não ser pelos estereótipos, ou traços do temperamento que herdam sem depender de suas vontades, não compreendem porque são diferentes. Mesmo o sexo, gêneros distintos, os aspectos da fisiologia, para elas, nada disso representa uma desigualdade.

Sem dar muita importância ao fato, elas tratam aquele ente, mesmo quando se dão conta de que possui um órgão sexual diferente do seu, a despeito do sexo não semelhante, como um igual. Na verdade, para elas, menino é aquele que tem cabelo curto e menina quem tem cabelo grande, o que na verdade já é um estereótipo social, só que ainda não sabem disso. E mesmo as peculiaridades típicas do temperamento de cada gênero, são desprezadas.

Na realidade nós cuidamos para que desde o início a aparência transforme os gêneros em diversidade. Para uma criança pequena isso não tem a menor importância, pois, as diferenças ocultas, até favorecem o desenvolvimento compartilhado. O fato de gêneros distintos com seus temperamentos peculiares dividirem o mesmo espaço já é um preparo para que se compreendam mutuamente, para que mais tarde possam conviver minimizando as disputas, respeitando o espaço de cada um, longe dos antagonismos motivados pela causa gênero. Entretanto, nós como adultos, fazemos questão de impedir que esse processo natural siga seu curso

E logo que nascem os nossos filhos, cuidamos de nutrir em seus inconscientes, o que primeiramente são: mulher ou homem. O que acaba por exacerbar de forma exagerada os traços idiossincrásicos que trazem de berço. E como também já temos um padrão usado para condicionar cada gênero, isso complementa a primeira parte do processo que irá transformar menina e menino em entidades completamente antagônicas, divergentes entre si, predestinadas a viver eternamente em conflito. E assim, o culto às diferenças se torna um atributo natural em cada conduta, comprometendo de forma dramática todas suas ações.

E então repetimos os estereótipos já criados para dar origem às primeiras diferenças que deverão existir entre elas. São as roupas, os brinquedos, os hábitos, e assim por diante. Na verdade, uma criança não precisa de nossa ajuda para aprender a diferenciar os indivíduos do sexo oposto, uma vez que isso deveria ocorrer de maneira natural, sem depender dos costumes que criam estas linhas divisórias.

Trata-se de um estágio espontâneo na pauta do desenvolvimento de cada um, e isso deveria ser incentivado, mas sem perder de vista. Cada etapa do seu amadurecimento foi cuidadosamente projetada pela natureza obedecendo a um critério lógico e bem definido, que contempla ao mesmo tempo, a evolução dos seus sentidos sincronizada à sua condição mental. No entanto, logo cedo, ao introduzirmos no mundo dessas crianças aqueles estereótipos que foram especialmente criados para separar um gênero do outro, quebramos, corrompemos, adulteramos, esse ciclo natural.

Por uma predisposição inata, meninas e meninos herdam dos genes do sexo certas características que acabam por definir involuntariamente, espontaneamente, o processo de preferências de cada um. Isso naturalmente ocorre sem a menor necessidade de nossa intervenção. Cabelos compridos, roupas azuis ou cor de rosa, carrinhos ou bonecas, saias ou calças compridas, tudo isso nós criamos para lhes dizer, desnecessariamente, quem é quem.

Ora, claro que nada disso tem valor cognitivo, uma vez que descobrirão na hora certa, sem distorções e juízos bizarros, com o melhor dos entendimentos, sem tabus, sem as maledicentes barreiras que nós, por interesses duvidosos e falta de inteligência, atribuímos existir entre sexos opostos.

Mas, quem seria o maior beneficiário com a instituição das diferenças precoces? Ao adotarmos uma postura que cria e depois fortalece o antagonismo entre os gêneros, estamos dando os primeiros passos rumo a ideia de que no mundo dos relacionamentos entre indivíduos de sexos opostos nunca haverá entendimento. Do mesmo modo que, com isso, também instigamos o culto às diferenças e preconceitos, uma prática que se estenderá para todas as áreas do convívio humano.

Observando com mais atenção, podemos constatar que, a partir do momento em que as crianças são segmentadas por gênero, uma poderosa alça do sistema financeiro, a máquina corporativa indutora de hábitos irá se encarregar de apoiar, alimentar e fortalecer esse status. E há também dentro das sociedades a questão do poder, onde o desejo de dominação de um congênere sobre outro, depende exclusivamente desses parâmetros.

Ocorre que todo o projeto que segmenta os gêneros normatizando os estereótipos característicos de cada um, foi idealizado por esse mecanismo social e inserido em nossas vidas como um padrão habitual e necessário, e o pior de tudo, fomos convencidos de que se trata de um processo natural, fundamental para o desenvolvimento sadio de cada indivíduo.

E sem perceber, desse momento em diante, somos seus agentes multiplicadores. E até nossas emoções foram cuidadosamente planejadas, e assim, naturalmente tratamos cada sexo como entidades antagônicas de fato. E mais uma vez, na mente coletiva, tornamo-nos replicadores, disseminadores ativos dessa prática abominável.

E existe mesmo um protocolo, um gabarito de procedimentos e regulamentos de como pais e mães deverão proceder no trato com seus descendentes, evidentemente, com a devida distinção, caracterizando, enfatizando, ilustrando de forma didática as diferenças irreconciliáveis que supostamente existem entre os gêneros. Trata-se de um modo operacional para lidar com meninas e meninos. Assim, os conteúdos psicológicos, os interesses, os objetivos, tudo isso será fracionado, seguindo à risca a orientação imposta pelo peso e influência de tais tradições e costumes bizarros.

Como resultado, substituímos seus temperamentos ingênitos que são dotes da própria natureza, por substitutos virtuais patológicos. Nestes predominam os clichês idealizados e criados pela mão do homem, cujo interesse é outro completamente diverso da proposta original. Trata-se do esmagador poder das tradições que insistimos em perpetuar, e na maioria das vezes isso ocorre porque nos falta coragem para questioná-las. Somos cativos da acomodação, e preferimos nos guiar por fórmulas e métodos já prontos, mesmo quando constatamos que são aberrações.

Meninas e meninos, ao brincarem juntos, estarão naturalmente criando os mecanismos naturais de respeito mútuo, já que ao longo do tempo descobrirão um ao outro. Aprenderão sobre as particularidades de cada gênero, sobre o que agrada ou desagrada, de acordo com as predisposições naturais de cada um. Aprenderão sobre as suas peculiaridades emocionais, as formas como cada um reage diante de uma mesma situação. Trata-se de um aprendizado tão rico que seria incapaz de caber em qualquer compêndio educacional teórico, criado por “especialistas” de mente fossilizada e intenções duvidosas.

A convivência natural, sem a imposição dos nossos vícios, manias e preconceitos, faculta também o respeito espontâneo, e tudo isso, de acordo com suas limitações, inclinações e disposições inatas. Estarão vivendo num mundo novo, já que cada dia será de descobertas. Não aprenderão que menino é o indivíduo que se veste de azul e brinca com carrinhos; nem que menina é aquela que prefere a cor rosa e brinca necessariamente com bonecas. Muito menos que meninos são agressivos e as meninas meigas. Descobrirão se tudo isso é verdadeiro ou falso, naturalmente, sem a estúpida intermediação dos adultos já contaminados pela incompetência crônica.

O convívio sem a instituição do gênero permite que compreendam naturalmente o papel de cada um. Não tentarão subjugar um ao outro, nem haverá a necessidade do gênero dominante, pois isso apenas existe a partir do momento que instituímos o fraco e o forte, o inferior e o superior.

Se fisiologicamente os gêneros são diferentes, isso também reflete de maneira decisiva na parte psicológica de cada um. O cérebro masculino enfatiza o movimento e a mecânica dos processos; a compreensão dos espaços físicos, dimensionamentos e formas geométricas, o lado racional de cada questão. Enquanto isso, a mulher desenvolve mais a sensibilidade, as emoções, o dom da expressão e comunicação; a fala e a observação, a intuição, o detalhismo, a harmonia e estética, a organização e zelo pelas coisas.

Compreender isso é aprender a considerar o espaço e limites de cada um; é entender que os gêneros não existem para competir entre si, mas antes disso, para se complementarem. Não existe inferior ou superior, mas antes disso, diferentes predisposições e capacidades, atributos psicológicos não antagônicos e sim conexos, cuja função é o trabalho conjugado, exatamente ao contrário do que tentamos instituir. E todo traço próprio de cada gênero é coisa intencional de parte da natureza, para que se ajudem mutuamente, o que caracteriza o convívio ressonante, e não o estado de competição patológica que conhecemos.

Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
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[1] Jon Talber - jontalber@gmail.com
É Pedagogo, Antropólogo e escritor especializado em Educação Integral e Consciencial. Estudou por mais de 30 anos as filosofias orientais e o comportamento das muitas culturas do mundo, seus sistemas educativos, doutrinas, dogmas, mitos, etc. Torna-se mais um colaborador fixo do nosso Site, onde pretende compartilhar parte daquilo que aprendeu ao longo de sua jornada.
O autor não possui Website, Blog ou página pessoal em nenhuma Rede Social.

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