Educação Integral e Consciencial
Educação Integral e Consciencial
A Criança e os Mimos, Mitos e Verdades
Editoria de Educação - 22 de Agosto de 2015
Autora: Anne Marie Lucille
Dar atenção e carinho é um dever, corromper com presentes, uma tradição, um modo de vida patológico...
"Urgente seria descobrirmos, em nós mesmos, de forma clara, objetiva, quais são os nossos atuais problemas, e depois ensinarmos a nossos filhos como viver sem eles, e nunca como viver com eles..."
A Criança e os Mimos, Mitos e Verdades
Não existem outros responsáveis pela correta educação dos nossos filhos, essa tarefa nos pertence, e esse magistério caseiro fará toda diferença em suas vidas e caráter...
A Criança e os Mimos, Mitos e Verdades
Não existem outros responsáveis pela correta educação dos nossos filhos, essa tarefa nos pertence, e esse magistério caseiro fará toda diferença em suas vidas e caráter...

Uma criança necessita de atenção, carinho e cortesia no trato, de quem quer que seja, e especialmente respeito. Respeito é simplesmente ter o cuidado e a consideração de não contaminá-la com nossos vícios, manias e maus hábitos.

Sim, nós somos os agentes contaminadores, uma vez que elas, psicologicamente falando, nos primeiros anos de vida, ainda não têm uma personalidade pontuada pelos costumes, e sequer pensam de forma lógica. Suas mentes estão vazias; ali não existem memórias, nenhum repertório agregando suas experiências de vida, e sem isso, não são capazes de pensar, ao menos de forma lógica, analógica e consciente.

Mas, logo nos encarregamos de preenchê-las com os caracteres pessoais que consideramos mais preciosos, ou seja, nossas vaidades, crendices e crenças religiosas; superstições, medos, paranóias, fanatismo, desejos e preferências mais bizarras. Isso ocorre porque somos uma maioria cuja convicção é de que podemos, na verdade de que temos o dever ou a missão divina, de refazer o mundo de conformidade com nossa imagem e semelhança.

Observe o que motiva um corrupto, se não é a satisfação por ganhar alguma coisa, de ser cortejado com inúmeros agrados, de sentir-se poderoso pelo assédio dos bajuladores, um séquito de adoradores, também corruptos, sempre à espreita de uma oportunidade para receber algum favor, de preferência sem nenhum esforço ou contrapartida.

Imagine se existisse uma maneira de tornar nossa vida mais fácil, confortável, ainda mais quando essa conquista não demandasse esforço. Não seria preciso nenhum empenho pessoal, uma vez que chegaria até nossas mãos numa bandeja dourada, em forma de presente e com todas as honrarias.

Se pudéssemos com poucas palavras traçar o perfil íntimo de um corrupto, o que teríamos pela frente? Bom, este deveria ser alguém que já sai de casa na expectativa de trazer da rua um pacote sempre crescente de vantagens. Um homem que desconhece a ética, um fiel partidário da lei do menor esforço; um indivíduo que está sempre disposto a mentir sem nenhum pudor, se o propósito for atingir suas metas de realização pessoal.

Quando uma criança é tratada como mimos exagerados, quer dizer presentes e todo um aparato de agrados para que cumpra com seus deveres regulares, ela está diante das mesmas condições que motivam também um corrupto. Presentes para escovar os dentes, para ir à escola, para ir dormir cedo, para pentear o cabelo, para não embirrar com os irmãos. Então, que tipo de mensagem estamos inserindo na personalidade desse pequeno?

Criança precisa de educação, zelo, respeito, toque e carinho, e também disciplina ordenada, que é o sentido de organização pessoal. Criança precisa aprender desde cedo o sentido da vida, o sentimento de solidariedade, mas não a solidariedade do dar para receber em dobro. Criança precisa sim, descobrir o que é a amizade e praticar respeito porque vivenciou isso em casa; porque aprendeu que é a coisa certa, e não porque está escrito em algum livro sagrado ou decreto social.

Quando observamos o comportamento dos nossos jovens, a leitura que fazem do mundo, do nosso modo de vida, do qual são partes integrantes e atuantes, logo se percebe que alguma coisa está errada ou incompleta. Não precisa ser muito perspicaz para perceber isso. Um mínimo de atenção já basta.

E há toda uma cultura instituída de que criança precisa de agrados exagerados, que em seu mundo tudo deve ser permitido. E isso inclui as birras, os erros, mesmo os intencionais, até como forma de evitar que sofram constrangimentos, caso sejam repreendidas. É crença de que tais intervenções poderão se transformar em traumas psicológicos sérios. No entanto, deixá-las em frente a um aparelho de televisão que transmite indiscriminadamente bizarrices, violência sem limite ou utilidade, conteúdos patológicos perturbadores mesmo para um adulto centrado, paradoxalmente, isso é permitido, apoiado, considerado sem ressalvas como uma pedagogia válida.

Assim, alertar para um erro que eventualmente venham a cometer é considerado coisa capaz de lhe causar traumas. Mas, assistir novelas com tramas espúrias, de uma realidade absurda, onde a deformação social é uma coisa tão natural quando o ato de respirar, isso é considerado edificante, e até debatido em círculos de pais e professores como exemplificação saudável dos novos comportamentos.

Onde está a falha? E se a falha está em nosso modo acrítico de enxergar esse problema? De aceitar essa manipulação de maneira transigente, como religiosos fanáticos que se recusam a pensar e simplesmente se deixam conduzir por gurus inescrupulosos para o abismo, crentes de que do outro lado das trevas existe um paraíso construído especialmente para atender suas carências mais infames?

Tais promessas não lembram os mimos? Existe presente, compensação ou recompensa maior que essa?

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